Quiprocó
Misture o mundo com uma colher de pau e...voilà!
Saturday, June 9, 2012
Supimpa!
Fiz esse Blog em 2009, só pra constar. Não, não adianta tentar procurar os posts antigos: já fiz o favor, para o bem geral da nação, de excluir todos (exceto três, sobre os quais vou falar em outra oportunidade). Como bem disse o Matheus: o Machado de Assis também tem vergonha dos primeiros romances que escreveu. No meu caso, um simples "delete" resolveu meus problemas. Ah, Matheus, "Iaiá Garcia" e "Helena" não são tão ruins assim, vai!
Depois dessa divagação tosca, vamos à "Retrospectiva 2009": tinha 18 aninhos e morava no Inferninho do Paraíso. Vulgo: num apartamento muito velho e podre (mas o Inferno também custava pouco, pelo menos), com meninas desconhecidas e no bairro de São Paulo que pode ser tudo, menos paradisíaco - pelo simples fato de as pessoas poderem adicionar a localização "Cursinho Etapa Ana Rosa" no 4square.
Fazendo um pulo gigantesco de 2010 (ô, aninho insuportável...) e 2011 (ô, aninho perfeitinho...), hoje minha vida é muito mais cool. Troquei o Paraíso pela Madalena, o cursinho pela Maior-Concentração-De-Comunista-Burguês-(Paradoxo?)-Ever e as meninas chatas por duas interioranas supimpas.
É, supimpa. Foi isso mesmo que eu digitei. E nada de reclamar dos meus preciosismos (oi?), coloquialismos e demais expressões que eu ouvi da genial da minha mãe entre uma xícara de farinha e outra de açúcar. Pelo menos aqui eu estou livre do metrô lotado, meu bem.
Sunday, June 14, 2009
Casa no Campo
Eu, olha só!, com tão pouca idade e há tão pouco tempo na Metrópole já sinto vontade de voltar à paz e à tranqüilidade dos domingos no interior. Visitar velhos e queridos amigos, em especial um, que me acompanha há tantos anos e ainda há de fazê-lo por muitas léguas.
Também é boa a nostalgia dos anos anteriores, lembrar-se da menina dos olhos verdes, cuja serenidade e sabedoria hão de perdurar ainda por muito tempo, ela que me ensinou a olhar através das lentes inusitadas. Tornei-me Miguilim e aprendi a ver sempre além.
Hoje, homenageio a cidadezinha onde cresci e as pessoas ao lado de quem floresci. Eu quero uma casa no campo, Elis.
Monday, May 25, 2009
Capitães do Morro - Parte I

Os Capitães da Areia são um grupo de meninos abandonados, órfãos, pobres. Pequenas criaturas carentes, sedentas de amor, portadores de corações incompletos. Gatunos, ligeiros, vivem do furto e da violência quando necessário.
O problema do menor abandonado no Brasil tangencia situações há muito conhecidas. São verdades ululantes, como a falta de estrutura familiar (para mim, o principal motivo), a pobreza, a ausência de políticas estatais. Esses fatores são comuns tanto à Bahia de Jorge Amado da década de 1930 como a São Paulo dos anos 2000. No entanto, a tão desenvolvida era da Terceira Revolução Industrial apresenta um dado novo aos relatórios das ONGs e instituições que assistem menores: o envolvimento com as drogas. Se o trapiche de Pedro Bala estivesse na favela Zona De Risco ZR (em Grajaú, Zona Sul de SP), ele não seria freqüentado apenas por meninos que furtam para sobreviver, mas sim (ou também) por menores envolvidos com o crime organizado, o tráfico de drogas e assaltos à mão armada.
Tão logo me mudei para a grande metrópole, fui assaltada. Um garoto, de no máximo 16 anos, parado no ponto de ônibus, à caça de um celular. Para vender e comprar pão? Quem sabe. Para levar para o morro? Talvez. Para trocar por drogas? Para alimentar os camelôs do Centro?
Antes, esses garotos eram “crianças que estudam para cangaceiro na escola da miséria e da exploração do homem”, meninos que, devido às circunstâncias da vida, conquistaram uma forma de não deixar a barriga vazia e ter algum lazer, unindo-se em bandos de homens na aparência, mas de crianças carentes no espírito. Hoje, a dura realidade da pobreza alia-se à vida sustentada ali, logo na esquina, quando um chefão confere ao pupilo uma missão referente ao tráfico, tendo a cola, o crack e roupas bonitas como pagamentos, assim como também mostrou “Cidade de Deus”.
Capitães do Morro - Parte II
Seguindo essa linha de raciocínio, permito-me acrescentar um dado quanto ao meu assaltante. Quando me dirigiu a palavra pela primeira vez, clamava ele ajuda para tomar um ônibus, sendo recusada por mim, numa atitude reflexa e um pouco desconfiada do que poderia acontecer em seguida – e de fato aconteceu. O que digo, leitor, é que essa criança fez uso das táticas de Sem-Pernas, personagem de Jorge Amado que, utilizando o defeito físico como álibi, aproveitava-se da boa fé das pessoas, roubando-as. Meu gatuno do domingo de manhã quis provocar em mim compaixão e levar meu celular. Seria ele uma criança? Um homem? Um aprendiz? Estaria ele movido a instintos de sobrevivência?
O fato é que a semelhança atrai as pessoas, de modo que um menor desalinhado nunca está sozinho. Quatro ou cinco indivíduos unem-se e formam grupos, que se expandem, criam regras, objetivos, propósitos. Comandos paralelos são criados, desafiando a comunidade e a cidade, recebendo respaldo da polícia corrupta (“Tropa de Elite”) e de políticos interesseiros (já é de conhecimento de todos que muitas favelas do Rio de Janeiro são controladas e mantidas por políticos oportunistas – traficantes e terroristas de terno, gravata e ensino superior).
Em meio a esse traçado da evolução do comportamento da criança abandonada e de suas conseqüências para a geografia local evidenciam-se três agentes em potencial a fim de quebrar esse paradigma fortemente enraizado na sociedade brasileira. São eles: a família, com seu poder transformador e rosa-dos-ventos dos pequenos; o Estado, com a inclusão social, a geração de empregos, a educação de qualidade, além do reforço da polícia como instituição forte em potencial a serviço da segurança, o enfraquecimento das milícias e o julgamento efetivo de tiranos disfarçados de “homens bons” (Período Colonial); e a sociedade como um todo, com ONGs e ajuda comunitária, em que não simplesmente lamentamos a pobreza, fechamos nossos vidros nos faróis e dirigimo-nos ao melhor restaurante da cidade, mas sim aquela em que contribuímos, de alguma forma, para transformar o local em que vivemos.
Monday, April 13, 2009
No princípio era o verbo..
Há quem fale que criar Blog hoje em dia é moda. É tão comum quanto pegar ônibus (para os paulistanos), comer fruta no pé (para os interioranos), ir à praia (para os cariocas) ou tomar chimarrão (para os gaúchos). Minha nossa, quanto estereótipo! Ah...tudo bem, o que seria do mundo sem seus padrões?
Este espaço que poderei chamar de meu (quanta ilusão, há tantos internautas! Oops, mas será que alguém vai me ler?) foi milimetricamente premeditado e calculado para conter rigorosamente o que estiver na minha cabeça, adivinhe, sem planos algum! Portanto, prepare-se para ler de tudo.
Espero que seja divertido!