Monday, May 25, 2009

Capitães do Morro - Parte I


   Os Capitães da Areia são um grupo de meninos abandonados, órfãos, pobres. Pequenas criaturas carentes, sedentas de amor, portadores de corações incompletos. Gatunos, ligeiros, vivem do furto e da violência quando necessário.
   O problema do menor abandonado no Brasil tangencia situações há muito conhecidas. São verdades ululantes, como a falta de estrutura familiar (para mim, o principal motivo), a pobreza, a ausência de políticas estatais. Esses fatores são comuns tanto à Bahia de Jorge Amado da década de 1930 como a São Paulo dos anos 2000. No entanto, a tão desenvolvida era da Terceira Revolução Industrial apresenta um dado novo aos relatórios das ONGs e instituições que assistem menores: o envolvimento com as drogas. Se o trapiche de Pedro Bala estivesse na favela Zona De Risco ZR (em Grajaú, Zona Sul de SP), ele não seria freqüentado apenas por meninos que furtam para sobreviver, mas sim (ou também) por menores envolvidos com o crime organizado, o tráfico de drogas e assaltos à mão armada.
   Tão logo me mudei para a grande metrópole, fui assaltada. Um garoto, de no máximo 16 anos, parado no ponto de ônibus, à caça de um celular. Para vender e comprar pão? Quem sabe. Para levar para o morro? Talvez. Para trocar por drogas? Para alimentar os camelôs do Centro?
    Antes, esses garotos eram “crianças que estudam para cangaceiro na escola da miséria e da exploração do homem”, meninos que, devido às circunstâncias da vida, conquistaram uma forma de não deixar a barriga vazia e ter algum lazer, unindo-se em bandos de homens na aparência, mas de crianças carentes no espírito. Hoje, a dura realidade da pobreza alia-se à vida sustentada ali, logo na esquina, quando um chefão confere ao pupilo uma missão referente ao tráfico, tendo a cola, o crack e roupas bonitas como pagamentos, assim como também mostrou “Cidade de Deus”.

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